quinta-feira, 14 de agosto de 2008

ORIENTAÇÃO PARA FAMILIARES DE PACIENTES ESQUIZOFRÊNICOS

ORIENTAÇÃO PARA FAMILIARES DE PACIENTES ESQUIZOFRÊNICOS

Respostas a Problemas Comuns


As famílias com uma pessoa esquizofrênica tem muitos problemas para resolver. Livros e conselhos de outras famílias podem ser bons, mas a decisão final deve ser de cada família, já que cada paciente e família são únicos. Ao ler essas sugestões seria importante lembrar como é essa pessoa e tentar separar quais problemas vêm da sua personalidade, e quais provém da esquizofrenia. A esquizofrenia pode aparecer em pessoas com personalidades diferentes, e as famílias deveriam se lembrar que as pessoas preguiçosas ou manipuladoras antes de adoecer, provavelmente continuarão assim depois da doença.


COMO DEVO ME COMUNICAR COM ALGUÉM COM ESQUIZOFRENIA?

Pessoas com esquizofrenia tem uma grande dificuldade para lidar com estímulos externos de qualquer tipo, especialmente quando há dois ou mais estímulos ao mesmo tempo. Por causa disso, as comunicações devem ser breves, concisas e claras. Faça uma pergunta de cada vez. A pergunta: ”Foi bom o passeio, quem foi com você?” Pode ser uma pergunta clara para a maioria das pessoas, mas para uma pessoa com esquizofrenia pode ser uma sobrecarga. Uma solução seria perguntar, “Foi bom o passeio?”, aguardar a resposta, para então, perguntar, “Quem foi com você?”.
Não vale a pena tentar discutir com o esquizofrênico a realidade de seus delírios. Essas tentativas geralmente terminam com desentendimentos e raiva. Ao invés de discutir com o paciente, faça uma simples afirmação de que não concorda. Isso pode ser feito sem desafiar ou provocar o paciente. Uma resposta razoável à afirmação: “tem cobras no meu quarto”, não seria uma afirmação categórica de que não há nenhuma cobra lá. O paciente deve ter algum motivo para acreditar que há cobras no seu quarto, pode ser que tenha ouvido ou até visto cobras lá.
Aconselhamos que as famílias respeitem as experiências sensoriais do paciente, sem, no entanto, aceitar suas interpretações dessa experiência. Uma resposta, por exemplo, poderia ser: “eu sei que você tem algum motivo para acreditar que tem cobras lá, mas eu acho que seu cérebro está enganando você, por causa da sua doença”. Outra resposta pode ser simplesmente: “eu não acredito que haja cobras lá”.
Muitas vezes os membros das famílias ou amigos do paciente lidam com as falsas crenças do paciente de uma forma sarcástica ou engraçada, como por exemplo: “Eu também vi cobras no seu quarto... e você viu as que estavam na cozinha?”. Essas respostas não ajudam o paciente, e os deixam confusos. Reforçam suas crenças e torna mais difícil para eles separarem suas experiências pessoais da realidade. Procure ser verdadeiro , não minta para o paciente. Revele com calma que você não está ouvindo ou vendo nada de estranho, mas evite brigas e situação de confronto.”Você precisa falar mais com seu médico sobre isso que está sentindo!” – pode ser uma maneira de faze-lo distinguir aos poucos o seu mundo imaginário do mundo real.
Uma maneira de ajudar o paciente a lidar com seus delírios é encorajá-lo a expressá-los somente em casa ou com os profissionais que tratam dele. Entre familiares, amigos e profissionais da área, seus delírios não causam problemas, mas em situações públicas podem prejudicá-lo. Muitos pacientes entendem isso bem e expressam suas idéias ou comportamentos estranhos somente em casa ou em ambientes protegidos.
Acima de tudo, é importante manter a calma. Tenha confiança que você pode lidar com qualquer idéia, por mais estranha que ela seja. Se as alucinações auditivas estão piores naquele dia, faça um comentário simples como: “Lamento perceber que as vozes estão te atrapalhando mais hoje”, da mesma maneira como você comentaria que a artrite de uma pessoa está pior.

O QUE DEVO FAZER QUANDO O PACIENTE SE ISOLA?

É muito importante que a família perceba e aceite a necessidade que o paciente tem de se isolar. Muitas vezes, apesar de a pessoa querer estar em companhia de alguém realizando alguma atividade, não quer relacionar-se diretamente com ninguém. Se passar um período do dia trabalhando, é possível que esteja sobrecarregada, porque além do que se passa ao seu redor, muitas vezes ainda tem que lidar com o que vem de dentro. Portanto, pode chegar em casa precisando se recolher para seu mundo interno, parecendo fria e distante.




Às vezes esse retraimento social é muito pronunciado e é difícil decidir o que fazer. É melhor insistir para que a pessoa saia do quarto e venha se relacionar, ou é melhor deixá-la sozinha? Como regra geral, é melhor deixar a pessoa só. Se o isolamento continuar, é possível que esteja indicando uma recaída e que seja necessária uma avaliação psiquiátrica.
Entretanto, na maioria dos casos, o isolamento é uma forma de lidar com o caos que se passa na mente do paciente, e é uma reação adequada.
Nesses momentos, a família deve tentar não tomar esse isolamento como uma rejeição pessoal, e continuar disponível nos momentos em que o paciente quiser-se comunicar. Mas é necessário que a família esteja solicita e disposta a dialogar com ele sobre seus sentimentos. Ele pode aceitar melhor sair com uma pessoa específica do que com toda a família reunida pois nas ocasiões de mal-estar e crise é mais difícil para o paciente conviver em grupo.
Em situações sociais não se devem ter muitas expectativas. Para uma pessoa com esquizofrenia, é difícil manter um diálogo, e entender o que está sendo dito. O número de pessoas fazendo visita na casa onde o paciente mora, deve ser limitado, para aliviar a pressão que essas situações causam para ele. Ele consegue lidar com uma visita por vez; uma reunião de pessoas muitas vezes significa uma sobrecarga. Da mesma forma, saídas para festas e reuniões fora de casa são, em geral, uma experiência difícil e confusa para o paciente.

QUANTA RESPONSABILIDADE POSSO DAR?

Outro desafio para a família é avaliar quanta responsabilidade dar ao paciente, e quanto controle ele tem sobre si mesmo. A maioria dos pacientes tem algum controle e pode assumir responsabilidades, mas isso varia muito de paciente para paciente, além de ser variável para o mesmo paciente. Alguns pacientes relatam que podem mandar suas alucinações pararem por um pequeno intervalo.
Muitos, com o tempo aprendem a controlar suas alucinações auditivas mantendo atividades rotineiras; por exemplo, assistindo televisão e ouvindo música ou usando fones de ouvido.
Quando o paciente se despe na frente de alguém é porque suas vozes mandaram ou é porque está bravo com sua família? Às vezes o paciente aprende a utilizar seus sintomas para manipular as pessoas ao redor e conseguir o que quer. Pode não querer mais morar com alguém, ou pode querer voltar ao hospital por algum motivo. Essa situação, por exemplo, não significa falta de controle.
Aconselhamos que a medicação seja controlada ou supervisionada pela família, já que tomá-la continuamente é, em geral, fundamental para que o paciente não volte a ser hospitalizado.
Para avaliar se o paciente pode viajar sozinho, se pode sair e voltar tarde, se pode cuidar de si mesmo, deve-se aumentar sua autonomia aos poucos. Antes de sair para um show à noite, por exemplo, é importante que já tenha saído e feito alguma compra durante o dia. É importante certificar-se que não esteja se envolvendo com tóxicos, e não cause problemas em público por causa de comportamentos estranhos. Quando o paciente pede por mais autonomia, a família deve estabelecer uma série de condições que ele deve respeitar antes de ter mais autonomia. Para sair à noite, por exemplo, a família pode exigir que conheça bem o caminho do ônibus e que se lembre de trancar a casa toda vez que sai. Outra forma de mostrar que pode ter mais autonomia, é cuidando de algumas tarefas da casa. Essas tarefas podem não ser bem recebida quando o paciente é pouco ativo, mas pode ser uma forma de ele mostrar alguma independência e aumentar sua auto-estima. Certamente não será visível prender o paciente em casa temendo pelo que lhe aconteça. Talvez melhor seja que ele ganhe uma autonomia progressiva a partir da sua capacidade de resolver pequenos problemas em casa. Se os atritos entre paciente entre paciente e família forem freqüentes pode ser conveniente uma curta Terapia de Família, em geral feita com psicólogo/ As. Social treinado que permita um novo acordo das relações intrafamiliares.
A questão do manejo de dinheiro pode ser ainda mais complicada. Alguns pacientes, apesar de pequenas dificuldades, são responsáveis com seu dinheiro. A maioria, entretanto, não consegue lidar com dinheiro e entrega tudo que tem consigo se alguém pedir. Para eles é difícil discriminar se a compra de algo é necessária ou não. Pode-se ensinar essa pessoa, por exemplo, que terá mais autonomia com dinheiro à medida que tiver mais autonomia em outras situações. Por exemplo, pode-se combinar com uma pessoa com dificuldade em manter sua higiene pessoal, que terá um pouco mais de dinheiro por semana para seus gastos pessoais, se tomar banho sem ser mandada. O cumprimento de outras pequenas tarefas também pode servir como indício de que está pronta para receber um pouco mais de responsabilidade.






Às vezes depois de uma crise psicótica severa, (em que o paciente precisava de ajuda até para se vestir, por exemplo), a família tem dificuldade em acreditar que em algumas semanas já tem condições de passear sozinha ou lidar com dinheiro. Essas questões devem ser tratadas da mesma forma que com os outros filhos, á medida que vão crescendo. Deve-se conversar abertamente e deixar o paciente saber quais as condições para receber, pouco a pouco, maior autonomia mesmo que relativa. Se os acontecimentos com seu parente esquizofrênico estiverem pior procure conversar mais com o médico que o acompanha. Se ele estiver fazendo também psicoterapia ou freqüentando um Hospital _Dia converse também sobre o caso com os outros profissionais que o acompanham. Hoje há muitas técnicas novas de tratamento, há novos remédios e seu parente se não está se adaptando a um tipo de tratamento, há novos remédios e seu parente se não está se adaptando a um tipo de tratamento pode-se tentar outro. Mas procure se informar bem sobre o local aonde ele está se tratando, quem são os profissionais. Se ele tem realmente Esquizofrenia, o caso deve ser acompanhado obrigatoriamente por um médico psiquiatra e usar medicação regularmente.

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